Aborrecimentos
Nada mais comum, nas atividades terrenas, do que o hábito enraizado das querelas, dos desentendimentos, das chateações.
Nada mais corriqueiro entre os indivíduos humanos.
Como
um campo de meninos, em que cada gesto, cada nota, cada menção se torna
um bom motivo para contendas e mal-entendidos, também na sociedade dos
adultos o mesmo fenômeno ocorre.
Mais do que compreensível é que você, semelhante a um menino de pavio curto, libere adrenalina nos episódios cotidianos que desafiem a sua estabilidade emocional.
Compreensível que se agite, que se irrite, que alteie a voz, que afivele ao rosto expressões feias de diversos matizes.
Em virtude do nível do seu mundo íntimo, tudo isso é possível de acontecer.
Contudo, você não veio à Terra para fixar deficiências, mas para tratá-las, cultivando a saúde.
Você
não se acha no mundo para submeter-se aos impulsos irracionais, mas
para fazê-los amadurecer para os campos da razão lúcida.
Você
não nasceu para se deixar levar pelo destempero, pela irritação que
desarticula o equilíbrio, mas tem o dever de educar-se, porque tem na
pauta da sua vida o compromisso de cooperar com Deus, à medida que
cresça, que amadureça, que se enobreça.
Desse
modo, os seus aborrecimentos diários, embora sejam admissíveis em almas
infantis e destemperadas, já começam a provocar ruídos infelizes,
desconcertantes e indesejáveis, nas almas que se encontram no mundo para
dar conta de compromissos abençoados com Jesus Cristo e com Seus
prepostos.
Assim, observe-se. Conheça-se no aprendizado do bem, um pouco mais. Esforce-se por melhorar-se.
Resista um pouco mais aos impulsos da fera que ainda ronda as suas experiências íntimas.
Aproxime-se um pouco mais dos Benfeitores Espirituais que o amparam.
Perante as perturbações alheias, aprenda a analisar e não repetir.
Diante da rebeldia de alguém, analise e retire a lição para que não faça o mesmo.
Notando a explosão violenta de alguém, reflita nas consequências danosas, a fim de não fazer o mesmo.
Cada
esforço que você fizer por melhorar-se, por educar-se, será secundado
pela ajuda de luminosos Imortais que estão, em todo tempo, investindo no
seu progresso, para que, pouco a pouco, mas sempre, você cresça e se
ilumine, fazendo-se vitorioso cooperador com Deus, tendo superado a si
mesmo, transformando suas noites morais em radiosas manhãs de perene
formosura.
* * *
Quando você for visitado por uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponha-se a ela.
E,
quando houver conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera,
ou do desespero, diga, de si para consigo, cheio de justa satisfação: Fui o mais forte.
Redação do Momento Espírita com base no cap. 13 do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 06.12.2010.
Em 06.12.2010.
Apenas a Obrigação
A notícia chamou a atenção pela violência, como tantas que a mídia divulga diariamente.
Essa,
porém, tinha um quesito diferente. Jovens de classe média alta,
escolarizados, bem vestidos, saudáveis, atacaram um morador de rua.
O
fato, ocorrido na madrugada de uma cidade grande, seria mais um nas
estatísticas policiais, não fosse a presença de outra pessoa em cena.
Esse também jovem, classe média, de boa família, reagiu de forma diferente ao ver o morador de rua sendo espancado.
Sem pensar nas consequências, movido apenas pelos seus valores, ele se colocou entre os agressores e o morador de rua.
Sua
intenção era a defesa do agredido, chamar à razão aqueles que deixaram
de ser racionais, ao se permitirem dar vazão a instintos bárbaros.
Como consequência, tornou-se igualmente vítima da violência.
Foi hospitalizado com várias fraturas. Submeteu-se a extensa cirurgia, para restauração dos ossos esmigalhados da face.
Depois
de vários dias, ao ter alta hospitalar, ainda sofrendo o risco de
perder o movimento do olho esquerdo, teve oportunidade de afirmar que
faria tudo novamente, se necessário fosse.
Também disse que não se sentia um herói.
Uma atitude não vai mudar o mundo, concluiu ele, mas pequenas coisas vão mudando.
Pelo menos uma, duas ou três pessoas vão pensar alguma coisa, vão ensinar algo para seus filhos.
A simplicidade nas palavras desse jovem demonstram a profundidade de seus sentimentos.
Enquanto tantos acham que nada podem fazer para mudar o mundo, ele apenas fez o que achava que era seu dever.
Enquanto
tantos se encastelam na reclamação, na lamúria, ou se isolam,
fechando-se em si mesmos e em suas casas para evitar as pessoas e os
problemas, ele se expôs, executando sua parte para mudar o mundo.
E,
como todo idealista, acredita que o pode mudar. Sabe que não o poderá
mudar sozinho, mas tem consciência que pode colaborar, fazer a sua
parte.
Por
isso, não se sente herói. Apenas sente a alegria do dever cumprido.
Mesmo que tenha pago o alto preço da agressão à sua integridade física,
fez o que achava certo.
* * *
Muitos sonhamos em mudar o mundo. Entretanto, esquecemos de cumprir nossas obrigações mais corriqueiras.
Reclamamos da injustiça no mundo e continuamos a desrespeitar o outro, passando-lhe à frente em filas.
Indignamo-nos
com a corrupção de políticos, mas prosseguimos na tentativa de suborno a
fiscais, guardas de trânsito e outros funcionários públicos.
Queremos a paz, mas somos violentos no trânsito, dirigindo desrespeitosamente, fazendo do nosso veículo uma arma.
Se
queremos mudar o mundo, façamos nossa parte. Não precisamos realizar
nada de extraordinário. Apenas cumprir o dever que a consciência nos
dita.
E
porque somos a luz do mundo, conforme nos afirma Jesus, deixemos nossa
luz brilhar nas ações do bem agir, nos conduzindo de maneira nobre e
lúcida pelas estradas da vida.
Redação do Momento Espírita.
Em 25.07.2012.
Em 25.07.2012.
Em busca da Felicidade
Se questionarmos um grupo de pessoas acerca do que significa ser feliz, obteremos respostas as mais diversas.
Alguns
dirão que ser feliz significa ter uma vida confortável, sem
preocupações financeiras. Outros dirão que a presença dos familiares e
amigos já é suficiente para nos trazer felicidade.
Outros,
ainda, poderão dizer que ser feliz é encontrar um grande amor, alguém
com quem possa dividir os momentos de alegria e os de tristeza. E outros
mais dirão que uma saúde perfeita é o que basta para a felicidade.
Outras
respostas poderíamos enumerar, sem podermos afirmar qual delas é a mais
correta ou a menos errada, pois que não há uma resposta em definitivo.
O Evangelho segundo o Espiritismo, em seu capítulo quinto, nos apresenta a máxima A felicidade não é deste mundo.
Alguns
poderiam pensar que tal ensinamento é uma barreira às esperanças que
todos temos de encontrar a felicidade verdadeira. Porém, não é esse o
propósito da sentença.
Essa verdade traz luz à grande diferença que há entre buscar uma felicidade, por vezes, utópica e ser feliz de verdade.
Há tantos que depositam suas esperanças de felicidade nas ilusões que o dinheiro e as posses materiais podem oferecer.
Passam a vida trabalhando para conquistar um império financeiro e mal percebem o quanto são escravos.
De
repente, quando se dão conta, os filhos já cresceram, os pais já
partiram, as amizades já se desfizeram e, nesse momento, nem toda a
riqueza acumulada é suficiente para lhes trazer a tão sonhada
felicidade.
Esquecem-se de que muitas pessoas são verdadeiramente felizes morando em casas singelas, com vidas financeiras limitadas.
A felicidade, portanto, não pode estar nos bens materiais.
Há outros que buscam a felicidade em um grande amor: Quando eu encontrar aquela pessoa especial, serei feliz, dizem eles.
Mas
quantas pessoas têm um companheiro ou companheira ao lado e não são
felizes? E quantos mais há que, mesmo estando solteiros, possuem sempre
uma alegria nos olhos?
Assim, a felicidade não pode estar no outro.
Então, onde encontrar a felicidade? Como ser feliz?
A
máxima do Evangelho nos ensina que a felicidade verdadeira é uma
conquista do Espírito, pois que todos nós fomos criados para a
felicidade eterna.
Tudo o que necessitamos para sermos felizes está em nossos corações.
* * *
Se hoje você se decidir por ser feliz, não há nada que possa impedi-lo, a não ser você mesmo.
Então
não deixe para amanhã: brinque, sorria, valorize as coisas simples.
Acompanhe o crescimento dos filhos, abrace, aperte a mão de quem lhe
quer bem.
Não guarde mágoas e deixe no passado qualquer sentimento de culpa. Não se entregue à autopiedade.
Seja otimista. Vibre com as conquistas. Valorize o presente. Planeje o futuro.
Organize-se. Reserve um tempo para você. Reserve um tempo para a família. Reserve um tempo para obras sociais.
E lembre-se: Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
Redação do Momento Espírita, com base no
item 20, do cap. V, do livro O Evangelho segundo o
Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.
Em 24.07.2012.
item 20, do cap. V, do livro O Evangelho segundo o
Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.
Em 24.07.2012.
RIO
O
rio corre em direção ao mar. Durante o seu percurso, ele ganha
velocidade, até o momento em que se defronta com algumas curvas, que o
fazem diminuir o ímpeto de encontrar o grande oceano.
Quando
passa por esses obstáculos da natureza, encontra pedras grandes em seu
leito, que lhe rasgam a superfície e lhe modificam o curso e o ritmo
natural.
Assim,
entre barreiras e percalços, ele segue a sua trajetória com uma só
certeza: a de que encontrará o mar, ganhando a liberdade e alegria
almejadas.
A vida de todos nós se assemelha ao curso de um rio.
Estamos constantemente traçando planos, buscando um oceano de sonhos e realizações, seja no âmbito pessoal ou profissional.
Inúmeras vezes deparamo-nos com obstáculos que nos impedem de seguir adiante da forma inicialmente planejada.
É
o momento em que a vida nos mostra que precisamos trabalhar, em nós
mesmos, inúmeras virtudes, entre elas a fé, a resignação e a paciência.
Manter
viva a crença de que somos capazes de alcançar nossos objetivos, apesar
de todas as curvas e pedras que encontrarmos no caminho, torna-nos
fortes o suficiente para continuar adiante.
Não há fronteiras para quem sabe o que deseja e possua a persistência para buscar.
Se os desvios na trajetória nos trazem dor e tristeza, acreditemos que, mais adiante, a tão almejada felicidade será alcançada.
Não nos apeguemos a essas dores passageiras. Entendamos que elas fazem parte da caminhada, rumo ao objetivo final.
Assim
como as pedras modificam o curso e a velocidade dos rios, pode ser que
os percalços do caminho nos deixem cicatrizes e nos façam esperar mais
tempo para alcançar nossos mais profundos sonhos.
Mas,
quando exercitamos a paciência e carregamos a certeza de que as metas
finais serão alcançadas, essas cicatrizes deixam de ter importância.
Apenas contarão uma história.
A porta da real felicidade exige sacrifícios. São justamente essas lutas que conduzirão a alma à imensa ventura.
Para
atravessarmos essa porta, basta que mantenhamos firme a vontade e que
não enfraqueçamos diante das lutas, confiando que estamos amparados pelo
amor Divino.
Jesus
nos propôs coragem e bom ânimo diante de tudo o que sofrêssemos. O
desalento e o desânimo perante os momentos críticos indicam inclinação à
derrota.
* * *
À frente de toda dificuldade que nos apareça, trabalhemos no sentido de superá-la com alegria.
Diante
de toda dor que nos alcance, realizemos o nosso esforço de modo a
suplantá-la, mantendo a chama da esperança de tempos melhores adiante.
Se tivermos que sofrer e chorar, o façamos confiantes de que Deus vela e que mais dia menos dia, nossos dramas serão resolvidos, se perseverarmos na ação feliz do bem até o fim.
Sem dúvida, Jesus é aquele que nos veio ensinar a extrair o lado bom e útil de todo sofrimento que nos seja imposto.
Redação do Momento Espírita, com base no cap.29, do livro Quem é o Cristo,
pelo Espírito Francisco de Paula Vítor, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.Em 23.07.2012.
pelo Espírito Francisco de Paula Vítor, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.Em 23.07.2012.
Rogativa de Matilde
Lemos, recentemente, a história de um Espírito de alto gabarito, intensamente luminoso.
Chama-se Matilde e há séculos trilha a rota ascendente do bem. Entesourou amor e sabedoria em larga medida.
Agora,
Matilde programa uma reencarnação, com o propósito de auxiliar alguns
de seus amores, que permanecem em estado de indigência espiritual.
Ela planeja renascer como filha de antiga conhecida sua.
Uma moça que já foi sua filha no pretérito.
Aproveitando uma noite de sono de sua futura mãe, a entidade superior a visita.
Então, entretém com ela uma interessante conversa.
Ao saber que aquele anjo de luz pretende renascer, a moça não contém seu espanto.
Contudo, Matilde a esclarece sobre a importância da lei de trabalho.
Afirma que a vida na Terra constitui uma imensa oficina, na qual é possível desenvolver valores eternos.
Para isso, basta que o candidato à iluminação aceite os imperativos de serviço que a bondade Divina lhe oferece.
A seguir, Matilde formula alguns pedidos a sua futura mãe.
O que será objeto de preocupação de uma entidade luminosa antes de reencarnar?
Terá ela pedido para receber uma educação formal primorosa?
Para ser matriculada nos melhores colégios?
Para ser resguardada de contratempos, a fim de ter uma infância rosada?
Com nada disso Matilde demonstra preocupação.
Ela esclarece sua antiga filha sobre o aspecto santo da maternidade, na orientação dos Espíritos renascentes.
Afirma que carinho quase sempre não falta no santuário doméstico.
Mas que a ternura absoluta é tão nociva quanto a absoluta aspereza.
Diz que as melhores possibilidades em cada vida se perdem, por falta de quem guie os reencarnantes nos labirintos do mundo.
Pede para não ser recebida no mundo como uma boneca frágil e mimosa.
Destaca que adornos externos não trazem felicidade legítima ao coração.
Que a ventura decorre do caráter edificado e cristalino, base da boa consciência.
Pede para não ser relegada à inutilidade, a pretexto de ser protegida.
Roga para não ser mimada, mas amada e orientada, de forma criteriosa.
* * *
A rogativa de Matilde indica bem o papel dos pais.
Ao reencarnar, o Espírito se vê privado de suas memórias e é muito suscetível à influência.
Na infância, deve ser objeto de intensos cuidados, a fim de se direcionar para a responsabilidade e a vida reta.
Em sua grave tarefa educativa, os pais devem mesclar com sabedoria os recursos da energia e da doçura.
Caso contrário, podem dificultar a redenção dos filhos que Deus lhes confiou.
Pense nisso.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 19, do livro Libertação,
pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 21.
pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 21.
RETIRADOS
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